40+ e a febre que custa a passar

set/2023

A vida começa aos 40! Essa é a frase que eu ouvia quando mais jovem, quando eu achava que as pessoas de 30 anos eram coroas (termo utilizado na minha terra, lá no interior de São Paulo) e, diga-se de passagem, eu devia ter meus 20.

A questão é que o tempo passa e passa e passa e, quando percebemos, já somos coroas. Ops, temos mais que 30 ou mais que 40 ou tantos mais. Ao olhar para os anos que ficaram para trás, não acredito que nos consideremos coroas, mas maduros e experientes enquanto os bem mais jovens tentam se “encontrar” no mundo.

Quando estamos com mais de 30 ou 40 e trazemos uma bagagem grande nas malas, somos acessados constantemente para os direcionamentos pessoais e profissionais e exatamente por isso, fiz algumas reflexões recentes. Ao olhar para a Erika do passado, tenho um baita orgulho da história que vejo, de como foi construída, seja por conta própria ou por alavancas que me empurraram para os desafios e me fizeram crescer. Quando miro a Erika do futuro, penso em quantas coisas mais essa história terá para contar, quantos desafios ainda vai encontrar e superar e quantas colheitas lindas e frutíferas poderá colher para encher a casa, as malas e todas as cestas dos que estiverem por perto.

Só que mais do que olhar para trás ou para frente, tenho olhado no espelho e o reflexo que tenho visto me preocupa e me agrada. A preocupação se refere ao equilíbrio. Preciso dele para viver a vida, mas é quase impossível ter uma balança equilibrada quando se trabalha bastante, cuida do casamento e dos filhos em parceria com o marido, além de tudo o que a família primária e secundária traz com ela. Mesmo assim, assisti um vídeo há pouco tempo que me deixou mais em paz. Nesse vídeo, a pessoa falava sobre relacionamentos, onde não existe 50/50% e, sim, cada hora pende mais para um ou outro e, tudo bem. Transferi isso para minha vida e percebi que as vezes minha balança está mais pesada profissionalmente e sou insuficiente em casa, mas me esforço para equilibrá-la e fazer com que a “casa” pese mais na balança em outros momentos. O que me agrada quando vejo o reflexo é que todas as tentativas de equilíbrio não são em vão e, essa mulher de 40+ já se realizou em todos os campos da vida.

Aos 40, já não nos preocupamos com pequenos problemas. Eles passam! Não nos preocupamos com o que algumas pessoas pensam sobre nós. Elas passam! Estamos tão resolvidos do que somos que tudo isso é muito pequeno para incomodar. Sabe o que incomoda? A febre que não passa de um filho, o constrangimento que ele ou ela passaram na escola, as preocupações com eles, com o bem estar de quem amamos, seja família ou amigos, o descaso de alguns frente a outros menos favorecidos ou com dificuldades cognitivas, por exemplo. 

Releia o que acabei de escrever e veja que o que importa são as relações entre pessoas, o que fizemos por alguém, fazemos ou pensamos em fazer. Por isso, quando sou consultada pelos mais jovens, recomendo tudo àquilo que eu gostaria que me tivessem recomendado ao longo da vida. Quem sabe isso ajude a fazer essas pessoas chegarem num ponto onde o que mais vai incomodá-la é a febre que custa a passar.

Se você está nos 20+, olhe para o espelho e converse com esse reflexo. Diga para essa pessoa que vê que seu futuro será brilhante, basta ter calma e equilíbrio, além de se preparar para os desafios que virão. Se você está nos 30+, faça o mesmo e já olhe para os anos que ficaram para trás. Talvez eles te mostrem algum Norte. Se você está com 50 ou 60+, nos dê algumas dicas. Vai demorar um pouquinho, mas trarei essa visão um dia, sem febre e com tudo o que a vida pessoal e profissional pode nos proporcionar.

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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Erika Buzo Martins

Erika Buzo Martins

Colunista

Doutora em Administração, Especialista em Marketing e Publicitária. É entusiasta dos estudos sobre comportamento humano/consumidor, trabalha com consultoria em Desenvolvimento Humano e Marketing. É Master Trainer em Programação Neurolinguística e Coach e, além de atuar como professora universitária há mais de 18 anos, é supervisora de Marketing do curso de Administração da ESPM-SP.

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junte-se ao mercado 

set/2023

"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?

LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.

Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.

É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.

ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?

LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.

Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.

Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.

ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?

LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.

A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.

Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.

ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?

LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.

O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.

A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.

É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.

 

ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?

LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.

A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.

Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.

ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?

LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.

Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.

ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?

LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.

A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.

ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?

LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.

Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.

 

ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?

LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.

 

O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

 

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

 

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.