Entrevista: Lícia Fábio – Empresária do Ramo de Eventos

mar/2026

O nosso trade de entretenimento tem se posicionado num aprendizado necessário, por onde corre a nossa cultura, estudando, lendo, buscando nossas raízes e acompanhando o mundo, desde a IA até a poesia de Castro Alves.                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Salvador tem um dos calendários de eventos mais intensos do país — do Réveillon às festas populares, passando pelo São João e grandes eventos internacionais. Como esse cenário impacta a presença e as estratégias das marcas na cidade?

 

LF: Esses eventos vêm trazendo marcas e pessoas para absorver tudo o que essa cidade tem a oferecer.

Agora temos também shows internacionais na Arena, Concha Acústica, revitalização dos nossos teatros e o novo espaço que está sendo construído junto ao Centro de Convenções.

Nesse processo têm vindo CEOs e diretores de marketing apoiadores desse movimento. Eles não olham só para isso, mas para nossa cidade como um todo, seu potencial e onde eles querem que sua marca esteja presente: Eventos de rua, festivais, os religiosos, maratonas, vinhos, etc. E nós baianos sabemos receber muito bem eles, com a nossa alegria e dendê.

 

ABMP: Salvador vive um momento de grande visibilidade com eventos, turismo e ativações de marcas ao longo de todo o ano. Na sua visão, quais são as oportunidades para que a cidade fortaleça ainda mais sua posição como palco estratégico para experiências, comunicação e grandes projetos de marca?

LF: A nossa indústria de Salvador é o entretenimento, e o da Bahia como um todo. Precisamos falar mais das nossas vinícolas, destinos turísticos, que estão com um charme muito maior do que de outros países.

Nossos queijos, cachaças, a história do Brasil e de nossos descobridores. Vender isso para o mundo. Essa terra é muito fértil, com um povo com gosto de alegria e criatividade. Vamos difundir com mais força o que temos: a moda, os nossos bons designs, esculturas, a arte popular, a nossa música.

Seria bom cuidar da nossa Feira de São Joaquim “Água de Meninos”, reconstruir a Igreja de São Francisco (a mais visitada do Brasil) e do nosso barroco.

ABMP: Você transita com muita naturalidade entre agências, veículos, marcas e fornecedores. Como evoluiu o papel do relacionamento e do RP nas ativações e experiências de marca nos últimos anos?

LF: Eu falo sério quando digo que a Bahia não precisa inventar mais nada. A Bahia é a Bahia! Já tem tudo.

O nosso trade de entretenimento tem se posicionado num aprendizado necessário, por onde corre a nossa cultura, estudando, lendo, buscando nossas raízes e acompanhando o mundo, desde a IA até a poesia de Castro Alves.

O papel do RP é de socializar, apresentar a verdade, mostrar o casamento de que as marcas em posição de patrocínio ou apoio estão presentes, de uma forma que contemple o DNA de cada marca com elegância e sabedoria.

ABMP: Projetos como o Restaurant Week mostram como gastronomia, turismo e entretenimento podem caminhar juntos. Qual o potencial dessas iniciativas para fortalecer a imagem e a economia criativa de Salvador?

LF: O Restaurant Week é uma franquia americana trazida para o Brasil via um empresário paulista. Hoje está em vários estados brasileiros como um elemento do turismo gastronômico.

Nosso estado é um celeiro de grandes chefs, grandes criadores, que usam elementos simples como o licuri, biribiri, o jambo, o umbu para enriquecer o nosso paladar.

Daqui a pouco vamos estrear com alguma estrela do Michelin. E vamos comemorar.

No RW, as pessoas vão para comer bem, se reunir com os amigos, criar novas experiências, conhecer novos cardápios e ainda ajuda algumas instituições beneficentes com os movimentos sociais que o evento oferece.

Como as grandes revistas e jornais passaram a não premiar a nossa culinária, criamos o Prêmio Melhores da Gastronomia com a Empresa Nexxo, de Paulo Neto e do jornalista e crítico gastronômico Ronaldo Jacobina. Todo mês de agosto teremos esta premiação.

 

ABMP: Março marca o Mês da Mulher e também o aniversário de Salvador. Como você avalia o protagonismo feminino na construção de projetos, eventos e conexões que ajudam a projetar a cidade nacionalmente?

LF: É por isso que a mulher é mais baiana. Aniversário de Salvador e dia da mulher.

As mulheres como a gente diz no Nordeste, está virada!!! (Ativa, Guerreira, Multitarefas..). Não é à toa que mandamos no lugar mais importante do mundo: a sua casa!

Não saímos dela, mas estamos em todos os cantos, organização, base emocional, trabalho, cultura, liderança em tudo.  Às vezes não nos deixam, mas a gente vai, com doçura, força, talento, sendo mãe e às vezes, lei.

O protagonismo feminino coloca o olhar em todos os pontos onde ela tem que estar. Não tem profissão nem ciência sem a presença dela.

Estamos com o pensamento do futuro, com inteligência, maquiagem, salto alto, sandália de dedo, gerando um mundo melhor ensinando e aprendendo a ouvir. Bel Marques fazendo coral e cantando o amor, Fagner, Caetano, , Wagner, Gil, Ivete, Daniela, Marcia Short, Carlinhos Brown.

Louvo as mulheres brasileiras, dedicadas à sua pátria, que seguem a fé como uma bússola que rege caminhos, Louvo, Mãe Carmen do Gantois.

ABMP: Você recebeu recentemente o título de cidadã baiana, além do de cidadã soteropolitana. O que esse reconhecimento representa na sua trajetória e na sua relação com a cidade?

LF: Foi o dia mais emocionante, dos que já vivi, como o nascimento do meu filho Igor, dos meus netos Davi e Maria.

Do título de Soteropolitana em um dia 16 de Setembro, dia do aniversário de Dona Canô. Baiana por natureza! Sempre sonhei, não vou mentir.

Quando soube que fui votada o coração acelerou.

Eu só agradeço a todos os Santos e Orixás e lógico à deputada Fabiola Mansur e Ivana Bastos e a todos os deputados.

Cresceu a minha responsabilidade por esse estado, Estado da Bahia.

Ando rindo à toa, feliz, feliz mesmo!

Acordo, abro a janela, olho pro nascente e falo: Glória a Deus! Sou Sergipana, Soteropolitana e Baiana.

Obrigada.

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