Responsabilidade Social: Quem lucra com isso?

set/2017

O conceito surgiu nas últimas décadas e adquiriu tamanha força e importância, que não deixou espaço para meias palavras ou controvérsias: atualmente, a Responsabilidade Social é parte fundamental das corporações. Somente no ano passado, segundo a pesquisa Benchmarking de Investimento Social Corporativo, o total de recursos destinados pelas empresas a projetos sociais girou em torno de R$ 2,6 bilhões.

Entender como esse processo se consolidou não é difícil. Há décadas o Estado não tem conseguido prover sozinho as necessidades sociais da população, mesmo as mais primárias, como saúde, educação, alimentação e saneamento básico. E, ao mesmo passo em que as mazelas sociais aumentavam, crescia também a expectativa de que a iniciativa privada pudesse oferecer tais serviços. Somamos isso ao aumento da consciência do consumidor, muito mais crítico e seletivo, e à importância de ações sociais e ambientais na rotina privada e corporativa.

Em um mercado agressivo, onde concorrentes disputam cada micro parcela do espaço, a Responsabilidade Social Empresarial (SRE) acabou sendo uma iniciativa para as empresas se destacarem. É o diferencial na imagem das corporações, definidora do seu próprio caráter. Em linhas bem diretas, o que a política de RSE comunica ao cliente é: “Aqui nessa empresa, vendemos mais do que um serviço ou uma mercadoria, vendemos também uma vida social mais justa. Ao dar preferência à nossa marca, você também fará parte disso”.

Estudos recentes apontam que 70% dos consumidores preferem empresas que desenvolvam ações de Responsabilidade Social ativas. As principais áreas de investimento em projetos sociais no Brasil são cultura (40% dos investimentos), saúde (16%) e direitos da criança e do adolescente (11%). Na prática, esses investimentos podem ser feitos em projetos próprios ou em instituições filantrópicas que desenvolvem trabalhos nessa área, como as Santas Casas, o GACC e centenas de outras instituições. Somente em Salvador, a Santa Casa da Bahia oferece atendimento de saúde através do Hospital Santa Izabel, mantém uma casa de saúde que assiste crianças em tratamento e familiares do interior, além das ações de educação e cultura realizadas através do Programa Avançar e dos Centros de Educação Infantil.

Mas é preciso estar atento: A sociedade não engole mais as falsas ações. O que é definido em contrato, como contrapartida da empresa, não é ação social. É obrigação! Para as empresas que não praticam ou não podem realizar investimentos diretos de capital em projetos sociais próprios ou em instituições filantrópicas, ainda há possibilidade de incentivar ações sem realiza-las diretamente. Os programas de voluntariado entre seus colaboradores ou mesmo o incentivo de campanhas de doação de serviços e materiais, são algumas opções.

Assim, o bem comum prevalece e o valor da Responsabilidade Social extrapola os números do lucro de capital, afetando positivamente toda a realidade de uma nação. Lucra o empresário, lucra também quem precisa de condições dignas de vida.

 

Roberto Sá Menezes

Roberto Sá Menezes

Colunista

Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do Brasil (CMB).

 

Mais artigos

Outubro Rosa. A bola da vez

Uma das características do mercado publicitário é a sua sintonia com as demandas comerciais ou sociais, o que gera modismos de época, nem todos se sustentam por muito tempo. A bola da vez nos últimos anos tem sido o Outubro Rosa que gera mídia de oportunidade em todos...

ler mais

Existe vida depois da Internet?

Espanta aos observadores do comportamento humano a velocidade da disseminação dos aparatos tecnológicos e sua crescente compatibilidade com os usuários. A conectividade mais acessível tornou o ambiente virtual o espaço mais importante para o fluxo dos processos. A...

ler mais

O esporte baiano sem apoio

Todo mundo sabe que os quenianos são os melhores do mundo, ou pelo menos essa é a percepção, na pratica das corridas de fundo: maratona, meia maratona, 10 mil metros. Uma expertise que eles desenvolveram nos últimos vinte anos, antes disso o protagonismo era de outros...

ler mais

Alto astral e bom humor, apesar dos pesares

A cabeça da gente contém um caldeirão de conexões, são muitas informações conflitantes e efervescentes onde se processa o humor. Sua manifestação externa se dará sobre a forma de anedotas, piadas, risadas, manobras mentais   inteligentes cuja função é devolver leveza...

ler mais

VIVA O SABER

Livros, debates, recitais, saraus e do nada, ou com tudo, o desabitado Pelourinho tem suas ruas invadidas por pessoas alegres, com riso estampado na face. Ali estava sendo oferecido algo, que não está presente no cotidiano, as escolas envelheceram. Na Flipelô tudo era...

ler mais

A morte do Teaser

O “teaser” nasceu no século XIX, teve seu auge no século seguinte e morreu de falência múltipla dos órgãos em inicios deste século e hoje permanece insepulto, aguarda talvez um cortejo fúnebre à altura da importância que teve, imagino todo o mercado ostentando...

ler mais

junte-se ao mercado