Entrevista: Claudia Lopes – empreendedora, terapeuta quântica, escritora e influenciadora

mar/2021

 

“Penso que hoje o papel mais relevante que a mulher pode exercer é o de ser ela mesma, “bancar” e se responsabilizar por suas escolhas, ter coragem para enfrentar seus medos, seus traumas, sem vergonha por ter se submetido, por ter se calado.”                                                                                                                                                                    

                                                                                                                                                                 

 

 

Após mais de 25 anos trabalhando excessivamente entre consultórios e salas de aula como fonoaudióloga e professora, Claudia Lopes decidiu ouvir o chamado para o autoconhecimento e espiritualidade, áreas que sempre despertaram interesse, mas que eram tratadas apenas como hobby. Com esta virada de chave na própria vida, um processo que levou anos, ela despertou para a mediunidade – que trata com humor, respeito e leveza -, publicou o livro autoral “Despertar da Espiritualidade,  um caminho de transformação e autoconhecimento”, tornou-se empreendedora, terapeuta quântica, escritora e influenciadora, com mais de 15 mil seguidores nas redes sociais.

 

Através do canal Virando a Chave e perfil no Instagram (@virando_a_chave), faz meditações e vídeos didáticos sobre ciência e espiritualidade, com o objetivo de simplificar a vida. Desde o ano passado, tem atuado com um grupo de mulheres para tratar o sagrado feminino, onde trabalha curas, sonhos, relações e traz reflexões sobre o lugar da mulher na sociedade atual. Será que este lugar é mesmo onde ela quiser?

 

 

ABMP: Qual o lugar da mulher contemporânea no mundo corporativo?

CL: Penso que antes de falar do universo corporativo é importante alinharmos o que vamos chamar de mulher contemporânea.

A partir de uma percepção ainda linear de espaço/tempo, Ethel Morgan, em seu livro “A Deusa em nós”, fala de três gerações de mulheres “feministas”, ou seja, o movimento de busca por um lugar de igualdade na sociedade não é recente. Os dois primeiros movimentos feministas tiveram como foco lutas por conquistas básicas de liberdade de expressão e de escolha, autonomia sobre o corpo, igualdade de oportunidades, entre tantas outras reivindicações. Já a geração feminina atual, que inicia esse “terceiro movimento”, usa uma linguagem diferente. Me parece que essas mulheres estão despertando a partir da ampliação de uma consciência espiritual.

Cabe esclarecer que o conceito de espiritualidade a que me refiro não está relacionado à religião ou tenha um cunho religioso, mas, uma conexão íntima com o próprio ser, com Divino e Sagrado que habitam em cada ser e que antes foi negado pela sociedade e cultura, até ser completamente esquecido dentro de cada uma de nós. 

Observo que, para essa geração de mulheres que começam a despertar, não importa mais competir com os homens ou sequer entre elas mesmas. Vejo como um movimento de busca, de descoberta das potencialidades, um redescobrir do “poder” que durante séculos teve de ser controlado e suprimido. Esse movimento atual, contemporâneo, está mais preocupado em curar os traumas, as dores e conquistar a liberdade de ser do que qualquer outro anterior. Assim vejo que a mulher contemporânea que está despertando, está ressignificando o mundo coorporativo ou tem o potencial para, se propondo a implementar relações mais humanas e saudáveis.

A meu ver, a mulher executiva competitiva tende a “morrer”, a desaparecer. O despertar da consciência espiritual nessas mulheres desperta a Deusa, libertando assim os aspectos sagrados do feminino que cuida, nutre, protege, conecta, cria, energiza e liberta. A mulher executiva competitiva tende a morrer sufocada por suas próprias cobranças e insatisfações.

Por fim, sei que você vai me achar louca, mas pode acreditar, o lugar da mulher contemporânea no mundo corporativo é de Feiticeira, Alquimista, Xamã, Curandeira das organizações e dos seres que dão vida às corporações, assim sobreviveremos.

 

ABMP: Falando nisso, essa mulher que trabalha, que é mãe, que estuda e encontra tempo pra si precisa estar em posições de destaque, como em cargos executivos, para provar sua competência? 

CL: Essa capacidade do feminino de exercer multitarefas e ser multifunção por si só já evidencia, na minha opinião, o qual competente ela é. Penso que a questão é o deslocamento do que de fato tem “valor”. O que é ter uma posição de destaque ou ter competência para um sistema capitalista sustentado pelo patriarcado, que coloca o masculino sempre em situação privilegiada ou que dita o que e quem tem valor? No entanto, observo que este sistema está ruindo e, como consequência, a apropriação da energia da “deusa” que há em cada mulher, a colocará em um lugar também privilegiado, só que sem precisar competir, simplesmente estará e trabalhará para que outras possam se beneficiar dos mesmos privilégios.

 

ABMP: Dentre tantos papéis que a mulher tem hoje, existe um mais relevante? Se sim, qual? 

CL: Penso que hoje o papel mais relevante que a mulher pode exercer é o de ser ela mesma, “bancar” e se responsabilizar por suas escolhas, ter coragem para enfrentar seus medos, seus traumas, sem vergonha por ter se submetido, por ter se calado. A mulher pode ser ela mesma exercendo sua plena capacidade de amar, de ter compaixão para consigo e despertar ainda mais a consciência de todos os seus poderes.

 

ABMP: Para ser feminina é preciso ser feminista? 

CL: Acredito que o despertar espiritual feminino do qual falei tira o extremismo que os movimentos feministas anteriores tiveram que sustentar. Penso que essa geração de mulheres que está fazendo esse movimento de conquistar seus espaços e respeito no mundo é menos radical e o reencontro com a “Deusa”, como cita Ethel Morgan, permite uma visão e um posicionamento mais integrativo das capacidades e responsabilidades femininas. As mulheres estão se “desautorizando” das suas funções básicas e acessando os seus mistérios, compreendem os seus ciclos descobrindo sem mesmo saber como, a magia do viver. Assim, o feminino não precisa mais ser feminista, extremista, egoísta. O feminino agora revela seu poder com sabedoria, com arte e no silêncio do simples posicionamento.

 

ABMP: Ainda que nem todas as mulheres tenham um posicionamento feminista, este movimento vem despertando a consciência, tanto individual, quanto coletiva, e incentivando que mais mulheres se posicionem e reafirmem seus lugares na sociedade. Este é o caminho para a transformação?

CL: Sim, acredito total que o caminho da transformação seja não só o despertar da consciência feminina na mulher, mas também no homem. Em 1987, o físico Fritjof Capra, no livro Ponto de Mutação, já falava que a grande transformação da nossa sociedade não seria por crises como a de recursos hídricos, energéticos ou políticos, mas que estaria relacionada à mudança de paradigma dos polos de força energético masculino para o feminino. Segundo ele, a entrada na Era de Aquário, sim, geraria uma mudança radical social e estamos exatamente vivendo essa transição, essa transformação.

 

ABMP: O que mudou na Claudia de 20 anos atrás pra de hoje?

CL: Veja que interessante. De 20 anos pra cá, tive a oportunidade de ampliar minha conexão com a espiritualidade e, como que em cadeia, tudo foi acontecendo. Ampliar a conexão espiritual me permitiu despertar os poderes da deusa em mim. Isso me tornou uma mulher mais confiante. A confiança me deu coragem para enfrentar meus medos e, à medida que eles diminuíram, a confiança na minha capacidade de realizar foi se ampliando e fui me tornando mais livre, ampliando os horizontes do meu ser.

Descobri que minha missão é muito mais do que ser esposa e tive coragem para não mais me submeter. Também não vim com a “missão” de ser mãe e filha e essa consciência me deu coragem para desapegar. Tenho um compromisso com o despertar coletivo, não só de mulheres, mas de seres humanos, contribuindo na transformação do mundo para uma evolução planetária e assim vou me transformando, dia a dia, ampliando minha capacidade de amar e ser amada.

 

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