Entrevista: Mário Dantas – Presidente da Associação Comercial da Bahia
“Precisamos nos valer da tradição que a casa tem, mas precisamos fazer uma representação empresarial moderna, através de um modelo de atuação que afete e melhore a vida das empresas, melhorando o ambiente empresarial e fazendo com que atinjam melhores resultados.”

Mário Dantas é empresário, diretor em uma construtora, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e do Grupo de Líderes Empresariais da Bahia (Lide-Ba). Administrador por formação e profissão, é também especialista em operações estruturadas e finanças coorporativas e mercados financeiros e de capitais, realizadas na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Recém empossado presidente na ACB, nesta entrevista, fala sobre o momento da associação, os primeiros passos na sua gestão, além das perspectivas para o cenário econômico do estado.
ABMP: Você assumiu a presidência da Associação Comercial da Bahia (ACB) aos 48 anos de idade. É a segunda pessoa mais jovem a ocupar esse cargo – o maior da instituição, que já tem 208 anos de atuação. Será este um movimento pela renovação, como vem acontecendo em outras frentes no país?
M.D: Sim, acredito que a posse da nova diretoria representa o movimento de renovação na Associação Comercial da Bahia, mas não por causa de minha idade, e sim pelo fato dos dez diretores serem empresários atuantes e estarem todos dispostos a se doarem nesse movimento de renovação e significância da representação Empresarial.
ABMP: O que encontrou e o que já foi feito ao longo desses três primeiros meses de gestão?
M.D: Certamente, o momento que a ACB vivia não era dos melhores. Encontramos a instituição com uma dívida de R$ 1,7 milhão e com déficit mensal nas suas contas de aproximadamente R$ 50 mil. Vimos ali que precisávamos tomar medidas imediatas que significassem aumento de receitas e redução de custos. Todos os dez diretores da executiva estão empenhados nesse movimento e, muito em breve, teremos equilíbrio das contas atingido e todas as dívidas negociadas, parceladas e equacionadas. Esperamos que, até o final de 2019, essa questão financeira da associação já esteja resolvida. Outro objetivo nosso é motivar a participação de todos os associados, aumentando em muito o número de adesões.
ABMP: Como você pretende instituir as práticas modernas de gestão dentro de uma instituição com mais de dois séculos de fundação? Como fazer isto de forma natural e não brusca?
M.D: Precisamos nos valer da tradição que a casa tem, mas precisamos fazer uma representação empresarial moderna, através de um modelo de atuação que afete e melhore a vida das empresas, melhorando o ambiente empresarial e fazendo com que atinjam melhores resultados. De forma simultânea, buscamos também que novas marcas venham para nosso estado.
ABMP: Você é também presidente do Grupo de Líderes Empresariais da Bahia (LIDE-BA) e diretor da NM Construtora. Quais apostas, cases e experiências você está trazendo dessas duas instituições para agregar na ACB?
M.D: A experiência que trago ao longo da minha carreira de administrador, diretor de empresa e, agora, na construtora NM, é de gestão. Gerir de maneira enxuta, com controle de custos e equilíbrio entre receitas e despesas. Já a minha trajetória no Lide me mostrou que as pessoas só vão fazer parte da entidade se elas visualizarem valor na instituição e se verificarem significância e sentido para elas fazerem parte da entidade. Ninguém gasta, por menor que seja, o valor da contribuição por estar associado, ou dispensa seu tempo com uma instituição se não visualizar valor nela. Portanto, essa é a nossa busca, de mostrar o valor de ser associado à Associação Comercial da Bahia.
ABMP: Como líder há três meses da entidade empresarial mais antiga das Américas, quais são os maiores anseios da classe empresarial, especialmente a baiana?
M.D: Estamos buscando nos multiplicar, através da participação de todos os associados, para que, desta forma, possamos atuar em diversas frentes, buscando atender aos anseios de toda a classe empresarial. Sem dúvida, este é um dos nossos grandes desafios, uma vez que a ACB é uma entidade plural, transversal, que atua em todos os setores da economia e para empresas de todos os portes. A defesa empresarial e mais ampla que se possa imaginar, portanto, trata-se de um grande desafio. Vale pontuar também que instituímos um modelo de representação empresarial onde criamos os núcleos temáticos, onde são permanentes, perenes, que tem suas agendas. Com isso, dentro de cada núcleo, existem as comissões executivas e uma programação de vários trabalhos para se acompanhar. Nosso objetivo com essa organização é de atingir resultados objetivos no que diz respeito a representação empresarial.
ABMP: Pela primeira vez, três dos nove principais cargos da ACB estão sendo ocupados por mulheres. Estar alinhado com as mudanças do mundo contemporâneo será o tom de discurso da instituição?
M.D: Sem dúvida, o fato de termos três mulheres na nossa diretoria executiva mostra a força da mulher empreendedora, cada vez maior na nossa cidade e no nosso estado. Com isso, a Associação Comercial da Bahia estará sempre incentivando a força do empreendedorismo feminino.
ABMP: Quando a nova diretoria assumiu, foi dito que a gestão teria como objetivo romper o paradigma de que a ACB é apenas para grandes empresários. Como vocês pretendem estabelecer esse diálogo com os menores grupos do empresariado e comerciantes informais?
M.D: Sim, teremos um foco muito expressivo na atuação junto às micro, pequenas e médias empresas. O grande número de empresas que existem na Bahia são desse porte. Portanto, sem dúvida, atuaremos de maneira forte nesse segmento. Já temos formado o núcleo da micro e pequena empresa e também ações em parceria com o SEBRAE para fortalecer a micro e pequena empresa.
ABMP: Quais atitudes, posicionamentos e definições essa nova ACB espera do poder público, seja ele municipal, estadual ou federal, no que diz respeito a resolução da reforma da previdência, realização de acordos comerciais e saída definitiva da recessão econômica?
M.D: Nesse aspecto, os 208 anos emprestam muita respeitabilidade e credibilidade à casa. Nos diálogos com as diversas esferas do poder municipal, estadual e federal, e também com os três poderes (legislativo, executivo e judiciário), pretendemos estabelecer conversas francas e abertas, onde pretendemos resgatar o bom diálogo entre o público e privado, e de forma republicana mostrar que é possível fazer a representação e defesa dos mais legítimos interesses empresariais.
Sem dúvida alguma, o maior anseio do empresário é que o poder público não atrapalhe e não interfira nos interesses empresariais, e que crie um ambiente fértil para o desenvolvimento da atividade empresarial. Nesse aspecto, ter estados, municípios e federação com as contas equilibradas é uma outra questão muito importante.
ABMP: A ACB está sediada no coração do Comércio, que vem sofrendo inúmeras intervenções de requalificação – seja do Governo do Estado ou Prefeitura -, e vem sendo repaginada com a chegada de empresas tradicionais e startups. Como enxerga esse movimento e o que ainda falta para o bairro retomar de vez o protagonismo de antes?
M.D: A relação da ACB com o bairro do Comércio é patente. A história da cidade e do Brasil começou ali. Então, essa relação é muito forte, e por isso, pretendemos transcender na localidade a defesa do interesse da cidade, estado e país, de maneira muito firme diante.
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ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?
LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.
Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.
É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.
ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?
LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.
Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.
Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.
ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?
LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.
A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.
Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.
ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?
LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.
O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.
A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.
É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.
ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?
LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.
A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.
Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.
ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?
LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.
Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.
ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?
LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.
A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.
ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?
LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.
Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.
ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?
LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
